Vasos Sanguíneos Encontrados no Maior Fóssil de T. Rex do Mundo

Jerit Leo Mitchell é doutorando na Universidade de Regina, no Canadá. O texto a seguir foi originalmente publicado no site The Conversation.

Embora a pesquisa em paleontologia busque vestígios de restos orgânicos em fósseis, ainda não recuperamos o DNA de dinossauros.

Nossa compreensão sobre os dinossauros se baseia, principalmente, em ossos e dentes preservados. Entretanto, esses tecidos duros têm limitações na informação que oferecem.

Os tecidos moles são raros, mas são cruciais para proporcionar uma visão mais detalhada da vida antiga. Esses tecidos incluem músculos, ligamentos e até pele, revelando dados importantes sobre a vida e aparência dos dinossauros.

Um avanço interessante em nossa pesquisa foram os vasos sanguíneos encontrados em um fóssil de Tyrannosaurus rex. Nossa equipe documentou esses vasos e publicou nossas descobertas na revista Scientific Reports.

Iniciei minha jornada na pesquisa como estudante de Física na Universidade de Regina. Participei de um grupo que utilizava aceleradores de partículas para estudar fósseis. Descobri os vasos sanguíneos em um osso de T. rex usando modelos 3D avançados. Agora, depois de quase seis anos, estou usando minha formação em Física para aprimorar técnicas de análise na paleontologia.

Um espécime extraordinário

Os vasos sanguíneos foram encontrados em um fóssil notável de T. rex, apelidado de “Scotty”. Este fóssil, guardado no Museu Real de Saskatchewan, no Canadá, é o maior T. rex já descoberto e um dos mais completos conhecidos.

Scotty parece ter enfrentado muitas dificuldades há 66 milhões de anos. Muitos dos ossos mostram lesões, provavelmente causadas por brigas ou doenças. Um dos ossos, uma parte da costela, exibe uma grande fratura que estava em processo de cicatrização.

Após um evento traumático, como uma fratura, a atividade vascular na área aumenta para ajudar na cicatrização. Acreditamos ter identificado isso na costela de Scotty: uma extensa rede de vasos mineralizados, que examinamos usando modelos 3D.

Continua após a publicidade

Revolucionando a pesquisa paleontológica

Ao estudar fósseis, encontramos dois desafios principais. O primeiro é como explorar o interior dos ossos sem danificá-los. O segundo se refere à densidade dos ossos, que aumenta após o processo de fossilização, quando minerais substituem os materiais orgânicos.

Inicialmente, consideramos usar tomografia computadorizada (TC), comum na medicina, para preservar o fóssil. Porém, a densidade dos ossos faz com que máquinas convencionais sejam insuficientes.

Utilizamos a luz síncrotron, raios X de alta intensidade gerados em laboratórios de aceleradores de partículas. com essa tecnologia, é possível investigar microestruturas, como vasos sanguíneos, com facilidade.

Os raios X síncrotron são também eficazes para análises químicas. Descobrimos que os vasos foram preservados como moldes mineralizados ricos em ferro, resultado da complexa história ambiental que levou à preservação excepcional na costela de Scotty.

Modelos impressos em 3D das estruturas vasculares encontradas na costela de Scotty.
Modelos impressos em 3D das estruturas vasculares encontradas na costela de Scotty (J. Mitchell/CC BY/Reprodução)

Escrito nos vasos sanguíneos

Ao estudar os vasos produzidos por uma fratura não totalmente curada, buscamos entender como o T. rex se recuperou, oferecendo pistas sobre a sobrevivência de Scotty após lesões. Esses dados podem revelar informações evolutivas ao comparar as estruturas vasculares de Scotty com outras espécies de dinossauros e seus parentes modernos, como as aves.

Os resultados também podem guiar futuras expedições fósseis, incentivando cientistas a procurar ossos com sinais de lesões ou doenças. Isso pode aumentar as chances de descobrir mais vasos ou outros tipos de tecidos moles preservados.

A combinação de pesquisa interdisciplinar e tecnologia avançada promete recriar a vida dos dinossauros como nunca antes visto.

Este artigo é republicado de The Conversation sob uma licença Creative Commons. Veja o artigo original.

Por que importa:

  • Revelações sobre a biologia e saúde dos dinossauros através de tecidos moles.
  • Novas técnicas avançadas que melhoram a pesquisa paleontológica.
  • Possibilidade de descobrir mais fósseis com tecidos moles preservados, enriquecendo nosso conhecimento sobre a era dos dinossauros.

Fonte: super.abril.com.br